Seccional Otacílio Costa

Autores, Acadêmicos e Obras

A Seccional de Otacílio Costa representa com orgulho a produção literária do Planalto Alto Serrano. Formada por escritores, professores, artistas e voluntários apaixonados pela cultura, essa unidade da ALCA tem promovido projetos de incentivo à leitura e valorização da literatura regional.

Por meio de campanhas, exposições, antologias e ações comunitárias, o grupo contribui ativamente para fortalecer a identidade cultural de Otacílio Costa.

Membros e Cadeiras

Cadeira Nome Função
01 Jania Maier Professora, escritora
02 Adoniran Vargas Professor de Arte, escritor, artista, ator
03 Maria Schlickmann Fuchter Escritora
04 Vera Lúcia Luz Erthal Professora, escritora
05 Robson Francisco Ribeiro de Liz Jornalista, fotógrafo
06 Edison Leonil Professor, declamador, escritor

Projetos Realizados

  • Doe um livro! – Mais de 500 livros arrecadados.
  • Esqueça um livro por aí – Distribuição de mais de 200 exemplares em espaços públicos.
  • Casinha Literária – Doação de 160 livros infantis e adultos para as casinhas da cidade.
  • Sacola Literária – Troca de livros entre crianças da comunidade.
  • Projeto D’Veras – Poesias em homenagem aos confrades, como a escrita por Vera Erthal para Jania Maier.
  • Coluna Literária no Jornal – Matérias quinzenais escritas por membros.
  • Semana de Literatura e Artes – Exposição na Câmara de Vereadores com declamações e apresentações culturais.

Obras e Participações Literárias

Maria Schlickmann Fuchter

Autodidata, escreveu 4 livros:

  • A Essência da Vida
  • Uma história de amor que eu vivi
  • A melhor idade é aquela que vivemos todos os dias
  • Mensagens de Saudades

Jania Maier

Participações em mais de 15 antologias, como:

  • Poetize – 2022
  • Sarau Brasil 2022
  • Mulher Destaque III – 2022
  • Esplendor Literário
  • Caminhos do Outono
  • Coletânea Lugar do Coração (e outras)

Vera Lúcia Luz Erthal

Poetisa autodidata, coautora em:

  • Antologia: Poesias, Crônicas e Contos
  • Revista Acadêmica – Homenagem a Machado de Assis
  • Varal do Brasil
  • Mulher Destaque III – 2022
  • Olhares de Saudades
    (entre outras)

Adoniran Vargas

  • Autor do livro Remember – Amor de um Dia, Amor da Vida

Anna Back

Anna Back é o pseudônimo da acadêmica Vera Lúcia Luz Erthal da Academia de Letras, Cultura e Artes (ALCA) Seccional de Otacílio Costa, SC.

Memórias de Leitura

É verdade, lendo, nos deparamos com referências comuns às nossas próprias lembranças. Em particular, me identifico, de certo modo, com relatos de histórias de famílias numerosas, pois venho de uma família grande também, sete filhos e dependíamos de um pai provedor e a mãe que cuidava da gente, tomando conta de forma integral, incentivando, cobrando boas notas e auxiliando no que podia e sabia, apesar de seus poucos anos de escolaridade.

Meu pai amava livros e sempre lamentava por não ter tido oportunidade de estudar mais do que a quarta série. Todavia, era dono de caligrafia ímpar e conhecimentos matemáticos básicos surpreendentes.

Assim, ele contava sua infância carente e sonhadora com boa escola. Certo dia, quando já éramos adolescentes, um vendedor de livros chegou à nossa casa, oferecendo uma verdadeira obra-prima: a coleção completa DELTA LAROUSSE, mais cinco volumes enormes de dicionários e uma coleção toda branquinha de livros de literatura… Os olhos do meu amado pai brilharam e, a custa de um esforço enorme, nossa sala se encheu de livros como um troféu para um lutador incansável pela formação dos filhos.

Nos dias de chuva, quando seu caminhão ficava parado, ele abria os livros sobre a mesa e todos líamos e nos maravilhávamos com as coisas belas e interessantes que víamos. E, é claro, tínhamos fonte de pesquisa e trabalhos escolares ao alcance da mão. Havia também em casa uma coleção dos clássicos infantis para duas irmãs mais novas.

Meu pai Osvaldo nos proporcionou a melhor companhia para os tempos que não havia a concorrência das novidades tecnológicas, a boa e salutar leitura.

Momentos Memoráveis

De um ninho de sete filhos, era só mais uma… Terceira na escala dos sobreviventes, sim, pois poderíamos ser mais, bem mais.

Penso… Não fora pela doença, acometida de anemia profunda, motivo para alguns cuidados, cresceria assim, pelo chão, agarrada aos poucos móveis, ou mesmo lá fora, no terreiro, a comer pequenos grânulos de terra.

Porém, aos primeiros sinais de relativa independência, juntaram-me aos demais irmãos e daí sim, era viver a infância ao ar livre, sabor de infância vivida no sítio, um pouco meio aos bichos que viviam nos arredores da casa.

Só lamentávamos era nos dias de chuva, quando a liberdade de brincar lá fora, era tolhida. Era tudo muito simples quando um carrinho de mão tanto era um “auto” ou um ônibus, pois nos apinhávamos sobre o pelego que amaciava os solavancos de nossa estrada imaginária.

Se por um lado, a nossa mãe e as demais daquela época, não dispunham de tempo para dispensar muita atenção aos filhos, por viverem assoberbadas pelas tarefas domésticas de uma rudeza cruel, pois tudo era feito em casa, à custa de mãos calejadas, por outro, davam aos filhos, o pleno direito de só brincar.

Eram dias e dias de total liberdade, de risos frouxos, de busca de ninhos de passarinhos, de colar o ouvido ao poste do telégrafo para ouvir ruídos indecifráveis, de espiar cada lado do tubo sob a estrada, sem cruzá-lo, é claro, com medo que um caminhão da serraria passasse bem na hora… Ou de brincar com as feiosas bonecas de pano, muito sem graça, que mais pareciam bruxas de cara alongada, bordada a “ponto atrás”, cujos cabelos eram feitos de lã de ovelha e eu sempre cismava com o cheiro…

Já os meninos, eram capazes de, a partir de um amontoado de sabugos de milho, criar carrinhos, torinhas e longas estradas pelo chão, quando subiam e desciam ladeiras, imitando o som dos caminhões, suas paixões… Ou com uma “biloca” feita a calcanhar, disputar por horas, várias partidas de “quilicas”, como eram denominadas as bolinhas de gude. Muito amiúde, chegavam algumas bonequinhas compradas ou alguns carrinhos. Mas eram feitos de material pouco resistente, infelizmente.

Tínhamos, para a época, tudo para sermos felizes, dentro da precariedade da vida rural, iluminada à luz de lamparina e sonorizada a rádio à bateria recarregável. Dos poucos passeios à carroça de tolda, dos rareados banhos na banheira de madeira com água puxada do rio, lá embaixo, em relação ao nível do terreno construído.

Morávamos em uma casa cedida a meu pai, por seu padrinho, em troca de trabalhos de cuidado e manutenção da propriedade, com vasta área lateral e à frente, onde brincávamos até o findar dos dias. Ao lado, tinha o que é impossível apagar da memória: o pomar!

Ah, o pomar era a maravilha daquela casa à beira da antiga rodovia 282, na década de 50…

Outros autores locais

  • Rosangela Maria Alves – Coletânea em Prosa e Poesia
  • Cláudia Spíndola Stanchak – Colunista do jornal Correio Otaciliense
  • Angela Chaves – Coautora em livros sobre diversidade e inteligência competitiva
  • Daví LúzAnatomia do Vampiro, Garotos
  • Juliano MetzgerAmor Além da Vida
  • Bernardina da Silva MariaA verdadeira história de Otacílio Costa
  • Licurgo CostaOtacílio Costa, uma vida a serviço da comunidade
  • Casa da Amizade (Rotary Club)Caderno: Nossas Receitas